Inaugurada no último dia 25 no Parque Ibirapuera, a Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB) propõe uma mudança de olhar sobre a arquitetura, aproximando o público dos espaços que habita e ampliando a compreensão sobre o papel da arquitetura na vida cotidiana e na construção das cidades.
Idealizada pelos fundadores da Archa, Anna Rafaela Torino, Raphael Tristão e Felipe Zullino, a iniciativa opera de forma independente e sem fins lucrativos, consolidando-se como uma plataforma cultural que conecta profissionais, indústria e público em torno da arquitetura como expressão de identidade, cultura e transformação social.
Entre os destaques, a BAB apresenta diferentes interpretações de como a arquitetura pode responder aos desafios contemporâneos do habitar no Brasil. A organização dos percursos e a articulação entre os ambientes da Bienal partem do masterplan desenvolvido por Leonardo Zanatta, vencedor do concurso nacional promovido pela BAB para a edição inaugural.
Na área externa do Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Pátio Metrópole, uma casa desenvolvida pelo Superlimão combina estrutura de concreto impresso em 3D com materiais reaproveitados, articulando tecnologias recentes a referências vernaculares. Ao lado dela, a Casa Leve, por H2C Arquitetura em parceria com Renault, propõe um sistema construtivo totalmente desmontável, feito com compensado naval e uma membrana translúcida de alta tecnologia, combinando leveza, eficiência e adaptabilidade. Completa o conjunto a Casa Trussardi, assinada por Vida de Vila, revestida em taipa, que retoma técnicas vernaculares e as coloca no centro do debate sobre caminhos mais sustentáveis para o futuro.
Ainda na parte de fora, a relação entre arquitetura e indústria aparece em espaços concebidos como experiência, como a Casa Electrolux, assinada também pelo Superlimão, e a instalação da TCL, de Ricardo Abreu, que levam para a Bienal uma leitura de tecnologia aplicada ao habitar e ao dia a dia.
No Pavilhão Brasil, na área interna do PACUBRA, a diversidade do morar no território brasileiro se traduz em projetos que partem dos biomas e das culturas locais. Os escritórios que assinam os espaços foram selecionados por meio de Concurso, no ano passado, e tiveram o mesmo desafio, o de projetar um apartamento de 100 m2 que representasse o morar em seu bioma.
O resultado surpreende por permitir aos visitantes adentrarem nestas interpretações do habitar. No Pavilhão Maranhão, assinado por Guilherme Abreu e Larissa Catossi, materialidade e ancestralidade se manifestam em uma instalação inspirada nas matracas, reinterpretadas em diálogo com o espaço contemporâneo. Já a Casa Adélia Prado, de Marina Reis, revisita o imaginário das casas mineiras por meio da pedra-sabão e de texturas que evocam tradições construtivas em leitura atual. No Pavilhão Pará, o Studio Tuca propõe uma organização espacial baseada nos fluxos dos rios amazônicos, transformando o território em lógica de projeto e evidenciando a relação entre arquitetura e paisagem. O Pavilhão Bahia recebe a Casa do Mastro, assinada pelo Vida de Vila, que investiga o uso do barro, da madeira e de técnicas construtivas vernaculares como expressão contemporânea do território.
A leitura do gaúcho contemporâneo aparece no projeto Querência Amada, por Matte Arquitetura + Studio Carbono, em tons terrosos, texturas naturais e materiais como madeira e tecidos, compondo uma atmosfera sensorial entre tradição e modernidade no bioma Pampas. No pavilhão que representa o Estado de São Paulo, Os Gêmeos Arquitetura apresentam uma moradia construída ao longo do tempo, inspirada na trajetória de quem sai do milharal e prospera sem romper com as origens. Já a Casa Ñandejara, assinada por Deborah Nazareth, celebra Mato Grosso do Sul ao unir tradição e vanguarda em um refúgio urbano, com paredes curvas que remetem aos rios pantaneiros.
A experiência da BAB se estende também para uma programação gastronômica que conta com o restaurante BIOMAS, assinado por Carlos Rayol e com um menu exclusivo criado pelo chef Filipe Leite, inspirado nos biomas brasileiros. A proposta se completa com o café da Copa Energia, assinado por André Henning, e com o Boteco Suvinil, assinado por Nicole Tomazi e Sergio Cabral, criando pontos de encontro e convivência ao longo da visita.
Ao longo da programação, a Arena Zait por Gui Mattos vai receber palestras, talks e encontros com convidados de destaque e foi concebido como um ponto de encontro dentro da BAB, conectando conteúdo, conversa e experiência.
“A BAB propõe que a arquitetura seja vista como experiência, um jeito de ler o Brasil por meio de espaços que articulam território, materialidade, tecnologia e vida cotidiana. A visita se desenha como um programa completo, para entrar, circular, parar e voltar a olhar para o que nos forma e para como habitamos”, explica Raphael Tristão, sócio-fundador da BAB.
A Bienal segue aberta ao público no Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), no Ibirapuera, até 30 de abril. Os ingressos custam R$100 (inteira) aos finais de semana e R$80 (inteira) durante a semana, com vendas realizadas exclusivamente pelo site oficial da BAB.
PAVILHÃO BRASIL
AMAZÔNIA
Acre | Marlúcia Cândida — Projeto Casa Empate
Pará | Studio Tuca — Projeto Caminho dos Rios
Rondônia | Thiago Marques Arquitetura — Projeto Casa Entre Águas
Roraima | Rayresson Rocha, Estúdio Modullus e Jacqueliny Ramires — Projeto Casa-território: onde o rio, o céu e o lavrado habitam
Fernanda Rubatino Arquitetura- Projeto Casa Terra para Sebastião Salgado
CAATINGA
Bahia | Vida de Vila — Projeto Casa do Mastro
Ceará | ARK Arquitetura e Interiores — Projeto É o Mar
Paraíba | Fabiano Lins Arquitetura — Projeto DO SERTÃO, ao verde e mar
Pernambuco | Thayná Padilha Arquitetura — Projeto Casa Pernambuco
Rio Grande do Norte | rodrarq — Projeto Casa de Veraneio
Sergipe | Mangaba Estúdio — Projeto Relicário de Voinha (foto)
Piauí | Black Arquitetos — Projeto Casa Dí Chico
CERRADO
Distrito Federal | Debaixo do Bloco Arquitetura – Moderno no Viver
Goiás | Bendito Traço Arquitetura — Projeto Casa de Amélia
Maranhão | Larissa Catossi e Guilherme Abreu — Raiz e Trânsito – Casa Pedro Neves
Minas Gerais | Marina Reis Arquitetura — Projeto Casa Adélia Prado
Tocantins | Marcus Garcia Arcteto — Projeto Casa da Arlê
MATA ATLÂNTICA
Espírito Santo | Letícia Finamore Arquitetura — Projeto Mulher Capixaba Contemporânea
Paraná | Boscardin Corsi — Projeto A Casa que Dança
Rio de Janeiro | Paula Martins Arquitetura — Projeto Casa Corcovado
Santa Catarina | Jeferson Branco — Projeto Pavilhão de Santa Catarina
São Paulo (Cidade) | Gabriel Rosa — Projeto Loft da Escritora
São Paulo (Estado) | Os Gêmeos Arquitetura e Engenharia — Projeto Tão Paulista quanto a Avenida
PAMPAS
Rio Grande do Sul | Studio Carbono + Matte Arquitetura — Projeto Querência Amada
PANTANAL
Mato Grosso | OHMA — Projeto Loft da Preservação Cuiabana
Mato Grosso do Sul | DNA – Deborah Nazareth Arquitetos — Projeto Casa Ñandejara
Ingressos e visitação
Os ingressos terão preço de R$100 (inteira) durante o final de semana e R$80,00 (inteira) durante a semana e poderão ser adquiridos pelo site oficial da BAB. A abertura para o público geral acontece em 25 de março e se encerra dia 30 de abril de 2026. A entrada recomendada é pelo Portão 03, pela Avenida Pedro Álvares Cabral. A exposição também conta com uma parte aberta ao público para visitação, com praça e palco.
Patrocinadores e apoiadores
A realização do evento conta com o patrocínio de Electrolux, TCL, Suvinil, Copa Energia, Metrô SP, Westwing, Lepri, Ingresse, Apex Brasil, Breton, ARTK, Hurst, Docol e Portobello; apoio de STELLA, Zissou, Flora MDF, By Kamy, Branco Casa, Theodora Home, Trussardi e Pinterest. O evento tem ainda apoio institucional do CAU/BR, AsBEA/BR, Semana Criativa de Tiradentes e AlmapBBDO, além dos parceiros de mídia Revista Projeto e Architecture Hunter.
Serviço — Bienal de Arquitetura Brasileira 2026
Quando: 25 de março a 30 de abril de 2026
Horário: De segunda a sexta-feira, das 12h às 21h. Aos sábados e domingos, das 9h às 21h.
Onde: Parque Ibirapuera, São Paulo – Pavilhão das Culturas Brasileiras
Info: contato@bienaldearquiteturabrasileira.com
Site oficial: www.bienaldearquiteturabrasileira.com
Ingressos: Link
Sobre a Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB)
A Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB) é uma plataforma cultural dedicada a ampliar o acesso, a compreensão e a presença da arquitetura no imaginário coletivo brasileiro. Criada para reposicionar a arquitetura como linguagem cultural, pensamento crítico e parte da vida cotidiana, a BAB propõe novas formas de aproximação entre o público e os espaços que habitamos.
Idealizada pelos fundadores da Archa — Anna Rafaela Torino e Raphael Tristão — em sociedade com Felipe Zullino, e realizada de forma independente e sem fins lucrativos, a primeira edição da BAB apresenta pavilhões inspirados nos biomas brasileiros, concebidos por arquitetos de todas as regiões do país. Os projetos foram selecionados por meio de concursos públicos organizados pela plataforma Archa, em um processo aberto, colaborativo e transparente.
Educação, experiência e mediação cultural orientam a proposta da Bienal, que busca tornar a arquitetura mais acessível, viva e próxima das pessoas, ampliando o repertório cultural dos visitantes e estimulando novas formas de perceber, vivenciar e compreender os espaços, as cidades e os territórios.
Sobre a Archa
A Archa é a maior plataforma de contratação de projetos de arquitetura e decoração do Brasil. Fundada em 2016, conecta clientes a arquitetos e designers por meio de um processo 100% online, que simplifica a contratação, amplia o acesso ao projeto profissional e garante liberdade na escolha do especialista. A plataforma permite simular o preço do seu projeto em archa.com.br e depois acompanhar todas as etapas do projeto de forma transparente, prática e segura.
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